domingo, 23 de março de 2014

Re-tudo



Abra os olhos, veja: é o mundo te chamando para entrar no paraíso que você já fazia parte, mas nunca percebeu. Abra sua mente, sinta: é a melhor vibração que sua imaginação jamais poderia te oferecer.

A vida sorriu para você nesse momento, e você? Sorriu de volta? Esperou que ela te desse tudo tão facilmente ou que lhe entregasse tudo de belo e maravilhoso que ela pode te oferecer? Solte suas mãos, abra mais os braços, relaxe o corpo. Você não está sendo obrigado por uma arma a fazer o que você faz.

Grite, cante, cante mais. Viva, reviva, ria, sorria, só ria. Você é capaz de fazer melhor que isso. Dançar é bom, mas dançar sem sentido, sem coreografia, sem regras te fazem melhor, mais rebelde, mais doce, mais feliz!

Palavras não fazem sentido, quando o sentido somos nós quem damos a elas. Quem precisa de dicionário? Quem precisa de mais moral? Mais leis? Quem se importa? Não seja sempre o mesmo, mude, recrie-se, ainda que os motivos lhe faltarem, faça-os aparecer.

Leia livros, assista filmes ou simplesmente não faça nada disso. Corra nu, ainda que em sonho, não se prenda por nada.

Liberte-se, sinta este vento que vem te dizer: Ei, psiu eu estou aqui para bater na sua cara e dizer, o quanto estou feliz de tê-lo aqui.

Crie utopias, cada dia uma nova. Crie novos ambientes, cada segundo um novo. Recrie o mundo, faça-o novo de novo e assim sucessivamente, para sempre, para frente. Recuse-se ao choro, não se curve à tristeza e não culpe os outros, não culpe ninguém, soluções vem do perdão e não da culpa.


Reedite, refaça, re-tudo. E se no fim, nada tiver dado certo: Abra os olhos ...

domingo, 9 de março de 2014

Sonho de Viagem



Já estive em tantos lugares que já não sei, me sinto tão viajado e tão distante da realidade, palpite. Eu só quero viver tão perto de você nessa noite e dizer o quanto isso importa.
Me perco nas fotos que não tirei, mas que gravei na minha cabeça só para rever, toda vez que lembro de você, não que isso seja o ideal, mas abraçar e sentir são coisas que já não faço, não por não ter alguém, mas por não querer mais ninguém.
As lembranças me fazem perder a direção e assim vou seguindo. A intensidade, a verdade e tudo mais confuso que se pode imaginar, roda minha cabeça com toda a força que existe, não são noites, são dias que se vão junto à minhas lembranças que são suas também, aliás, são suas, só suas.
Eu me confundo quando o assunto é você, eu tento dizer, me expressar ou contar qualquer história que ainda não existe, simplesmente não existo ou me renuncio diante de um sentido qualquer de viver, sem sentido. Não faz sentido.
Vivi as mais diferentes experiências com ou sem você, sem você fiquei. Experiências de sonhos que jamais sonhei, pois não tenho capacidade, grande confusão.
Hoje vejo, seu caminho tão confuso, sem esperança de se cruzar ao meu, se revela uma impossível e indisponível incógnita, chances que jamais se dirão juntas, incapazes. Dizer que tudo isso não é mais do que coincidência vai dizer mais sobre você, do que pode imaginar.
Eu falaria do seu sorriso, sem nem ter visto ele antes. Eu diria sobre seus olhos, sem nem conhecer a cor deles qualquer tempo atrás, nada importa, importa, o seu sentido é mais forte que o meu, seu mistério, sua luz.
Apropriei de sua inteligência e sagacidade, coisas que marcam, assim segui a vida dificilmente.
Corra mil milhas ao sul, diga que não volta. Migre para outro país, fale outro idioma. Diga que não volta mais, fique onde está. Viva intensamente o que existe, renuncie-se diante dos prazeres. Sua vida é impossível, o seu caminho é livre.
Vá e se junte ao pôr-do-sol e, diga ao mundo o quanto você ainda é importante para o Universo. Veja a cor do céu nesta manhã de outono e sonhe com um sonho confuso, tão confuso quanto essas palavras que lhe escrevi nesta madrugada tão fria e sombria.

Daqui, você volta para os meus sonhos mais uma vez...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Esse Alguém é você?

Acordava Alguém, um ser incrível que sabe-se lá quais qualidades tinha, não porque não tivesse, mas só por não ser uma grande pessoa, com grandes atributos físicos. Tinha uma mente incrível e ideias fantasiosas e ao mesmo tempo fantásticas demais para acreditarem que seria capaz de pensar tanto.
Alguém não tinha amigos, não por não ser capaz de tê-los, mas sim por nunca ter encontrado alguém que merecesse sua atenção, então um dia ele foi procurar, ainda que sem muita esperança, ele tinha em mente e na sua poesia todo o conhecimento que precisaria para achar alguém.
Sua filosofia era tão forte e encantadora que no caminho entre a terra dos sonhos e o paraíso das realizações deixou um rastro de apaixonados por sua personalidade, mas nunca com ele mesmo, não por ele não ser alguém interessante o suficiente, só pelo motivo de que, pessoas comuns não se interessam por pessoas simples em aparência e com mente forte.
Um dia Alguém acordou e deu de cara com a dificuldade, a solidão tinha lhe apagado os melhores anos de sua vida, se é que eles haviam existido, mas ele ainda acreditava em pessoas ideais, ainda que ideais fossem suas ideias tão construtivas sobre um mundo melhor e mais despretensioso. Sem que as diferenças fossem o maior fator de agravamento das crises, não que ele não gostasse da diferença entre os outros, mas só pelo fato de ser um, em um bilhão.
Alguém, decidiu ser como os outros, cortou os cabelos, revoltou-se contra o governo e escreveu sobre revolução, não que ele fosse reacionário, mas sim porque ele achava que o diálogo ainda era a melhor maneira de se resolver as coisas. Alguém, postou no facebook fotos de manifestação, de rolézinho no Shopping e até de pichações em muros que ele mesmo fez, conseguiu ser melhor que antes.
Ele foi aceito no mundo, na sociedade. Alguém deixou de ser sozinho e arrumou novos amigos, conseguiu pegar todas as meninas e hoje vive em qualquer bar da esquina, vive em qualquer balada, em qualquer lugar, não que Alguém seja como todos os outros, ele só se cansou de ser diferente.
E você? Colocaria o seu nome no lugar de Alguém?
Será que Alguém está errado, ou tem alguém mais errando?


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Dia da Saudade

Imagem retirada do site Teclasap: http://www.teclasap.com.br/2009/08/28/como-se-diz-saudade-em-ingles/

Toda saudade é a presença da ausência de alguém, já dizia o mestre Gilberto Gil. Hoje pela manhã, fiz algo do qual não me orgulho muito, mas, fez muito sentido e só reafirmou as teorias da minha cabeça sempre a procura de respostas. Assistindo "Encontro com Fátima Bernardes", vi que o programa era sobre saudade, distância e reencontro, claro, sem dúvida eles estavam fazendo uma homenagem ao dia 30 de janeiro que no Brasil é o Dia da Saudade. Havia uma mãe que não via a filha haviam 2 anos, pois ela vivia em outro país, mas a gigante TV Globo não poderia perder sua audiência e fez assim aparecer a filha sumida e num abraço, selou-se então o amor entre as duas.
Saudade é uma palavra que existe somente em português e galego, claro, cada idioma utiliza sua forma para se referir ao sentimento como em francês: je manque toi; ou no inglês: I miss you; ambos querem dizer: sinto sua falta, não é que os portugueses tenham resolvido por um toque de mágica ter um sentimento de falta que os outros povos não tinham, mas sim por, resumidamente, terem extraído termos do latim: "solitudine", que quer dizer: solidão; "salute, salutatione, salutare, salvare", que querem dizer: saúde, saudar, saudação, salutar, saludar e salvatione que querem dizer: salvar, salva, salvação. Segundo alguns relatos, os termos foram significando nos tempos do descobrimento do Brasil, em que os portugueses ficaram sozinhos, solitários, longe de sua terra e família.
Tá bom, mas onde fica a saudade de verdade, aquela que aperta o coração e faz soltar lágrimas quando a sentimos? A resposta está em cada um de nós, dentro de nossos corações zelosos pelos nossos queridos entes, amigos e claro, o nosso perfeito amor.
A saudade é o amor, é falta dele, é a materialização de alguém que não está perto ou como diria uma antiga amiga "saudade é tudo aquilo que os olhos viram e que o coração não esqueceu". 
Não é que vamos celebrar a saudade como algo maravilhoso e agradável, aliás, bom mesmo é o reencontro depois de tempos sem ver aquela pessoa que você tanto gosta, mas pode ser que você se canse dessa pessoa, daí, dê mais um tempo e reencontre, idas e vindas são excelentes seladores de paz entre casais, o problema é quando isso cansa e alguém vai logo não querendo mais sentir saudades de você, então você vai no ciclo da vida.
Portando, cuide bem de quem te faz sentir saudades, para um dia reencontrar, porque um dia, pode ser que até a saudade se torne a lembrança mais amarga de todas. Enfim, seja a materialização do presente, mas nunca esqueça do passado, do velho, porque se a saudade é mesmo o que disse Gilberto Gil, você jamais será pego desprevenido novamente.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Trindade, como não ser influenciável

A incompetência de sermos quem somos é uma culpa que se arrasta através de tanto tempo que, quando vislumbramos quem queremos ser, assustamos tudo a nossa volta, passamos eras tentando entender o Universo, as estrelas ou os animais, mas não gastamos nosso tempo com questões que parecem banais - mas que fazem, em suma, toda diferença - não nos reconhecemos como seres de nossa propriedade, mas pertencentes à um meio que se degrada com interesses múltiplos, egoístas e as vezes surreais.
Não é nem que não tentemos nos adaptar à nossa realidade individual, mas é que, quando nos deparamos com as milhares de possibilidades vistosas e muitas vezes fantásticas demais para lembrar quem nós somos de verdade. 
Não somos um monte de cabeças vazias prontas para o abate - ainda que alguns sejam e façam de tudo pra isso - devemos estar preparados para enfrentar o verdadeiro desafio da vida: não ser influenciável. Discordar de tudo é bobagem, mas um pouco de ceticismo não vai nos tirar da famosa Estrada de Tijolos Amarelos da famosa série infantil de L. Frank Baum O Maravilhoso Mágico de Oz.
Influenciar é legal, moral e necessário, não é que você vá chegar e mandar matar o rei e autocoroar-se por sua enorme influência sobre os processos, mas é tipicamente a forma mais fácil de entrar e poder dizer o que pensa sobre qualquer coisa, em democracias, em ditadura você vai ter que utilizar da versão do rei, não duvide, você pode, mas é nesse lugar que mora o perigo: ter milhares de pessoas ao seu redor, jamais vai significar influenciar, claro, pessoas influenciadoras são de fato, cercada por muitas outras, mas como distinguir?
Convido vocês a conhecerem algo tão maravilhoso e formidável quanto a própria utopia do perfeito, apresento-lhes: A Trindade, religiosos diriam que sabem tudo sobre isso, mas a questão aqui não é de santidade, menos de espiritualidade, mas de vida, de realidade palpável, perceba que não desacredito das teorias cristãs, entretanto, não cito religião e sim três pré-requisitos para começar a não ser influenciável.
Conhecimento, Experiência e Liberdade, a linha começa a ser definida aqui: 
Conhecer é fundamental, quando ouvimos uma música e passamos em algum lugar, lá está ela tocando e, não vai importar se odiamos ou amamos, reconheceremos o som, talvez não lembraremos da letra, mas sem que ninguém diga, as notas são o gancho da memória. Adapte isso à vida cotidiana, ter conhecimento prévio de coisas simples, como por exemplo o texto sobre Karl Marx que o professor de Filosofia passou no Ensino Médio, vão servir tanto para acertar aquela questão na prova de Direito Constitucional, como para iniciar uma revolução socialista em algum lugar frio do mundo.
Experiência é a forma de conhecer através de sensações, vivências, algo menos palpável e mais visual. Quando sua avó preferida se foi, você aprendeu que, bala de doce de leite com recheio de chocolate te faziam mal, não porque elas têm alguma substância que te faça mal, mas sim, pela lembrança que ela remete à sua querida avó e da enorme falta que ela te faz. A experiência vai te fazer desviar de caminhos e vai te tornar um influenciador, melhor, alguém em quem as pessoas se inspiram, ela é a líder de tudo, mas, não se engane, sentir na pele não é - e nunca vai ser - a melhor forma de se tornar experiente, pois, é visual como já dissemos. Aprenda com os outros, não se machuque.
Embora, tudo aqui estivesse seguindo pra um caminho muito sério e chato talvez, o melhor ainda está por vir, a terceira parte é de longe a melhor: a Liberdade. Consequente, indiscutível e maravilhosa, a liberdade te faz recompensar pela seriedade em que é necessária as vezes em nossas vidas, o que não quer dizer que você precise de prudência para concretizá-la, é fazer tudo que você quiser, como quiser, a hora que quiser, mas é enfrentar medos, desafios e mais que tudo nessa vida, refazer caminhos tortuosos, mas necessários para chegar por fim, na Cidade Esmeralda do Feiticeiro Oz, tenha certeza de que o fim de uma jornada não é o fim da vida, não necessariamente, mas é de fato, o início de outra.
Defina o que você quer ser, relembre do passado, utilize o conhecimento, refaça o caminho quantas vezes forem necessárias, mas agora, já sabemos como errar menos, perfeição, é assunto pra outra vida.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Reapresentação

E se? Quantas vezes é essa a pergunta que nos fazemos e quem sabe deveria dar certo. O mundo girou e nós nem percebemos que cada dia que passa tudo fica mais rápido de se fazer, de se estar de aproveitar, só hoje já nasceram 350.526 pessoas no mundo, morreram 144.653 ou 3.036.564 mensagens em blogs foram escritas, mas e daí? o que você tem a ver com isso? Na verdade tudo, quem te falou que você não faz parte de alguma estatística em algum lugar do mundo ou no tempo?
Mesmo se você pudesse fazer qualquer coisa para atrasar, recomeçar, refazer e ainda sim parar o tempo, o relógio rodaria e você se veria envelhecer sem que nada pudesse ser feito ou ainda tivesse feito, não sairia, não amaria, não correria, não aproveitaria e ainda estaria parado no espelho pensando como seria bom se vivesse mais uns 50 anos e daí começaria tudo de novo.
A verdade estaria escrita nas paredes e você parado no seu tempo particular sem nem querer sair do lugar e a mesma pergunta se repetiria: e se?
Você seria capaz de mudar o mundo?
Você poderia conhecer todos os lugares do planeta?
A vida seria melhor caso acordasse mais cedo?
E se?
Busque novas explicações, novas formas, novos conceitos e nova cultura.
BEM VINDO AO EXATAMENTE HUMANO


A Consciência do Imaginário

Não é de hoje que no Brasil ouvimos falar em nossas aulas de história o quanto os negros sofreram durante a escravidão e que eles foram os responsáveis pela miscigenação da cor e da cultura brasileira dos últimos 4 séculos, mas será que não falta nada para entendermos a complexa estrutura da qual o nosso país vem se desfazendo nesses anos todos?
Esse dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) do qual em algumas partes do país é feriado e em outras uma data comemorativa não é mera coincidencia ou por um fato comercial ela é, justamente, o dia da morte de Zumbi dos Palmares, negro africano, que fugiu, fundou o Quilombo dos Palmares e virou mártir no memorial do Movimento Negro do Brasil e ainda desde 1997 integra o Panteão da Pátria e da Liberdade em Brasília e disso, quase ninguém sabe e não é por que as pessoas são desinformadas, e sim justamente por um tal de racismo que assola e assombra a nossa história desde os tempos de Cabral.
Nosso país é negro, de fato, o Brasil tem a maior população considerada negra fora da África, o que – não quer dizer que – isso seja um motivo para o respeito, convívio e igualdade no tratamento entre as pessoas de cores diferentes. Os negros só estão no topo das estastísticas quando o assunto é: criminalidade, desemprego e miséria, embora nos ultimos 10 anos, o Brasil tenha dado um salto rumo a melhoria dos índices ligados aos negros, ainda há muito o que se fazer.
A lenda de que o Brasil é uma “Democracia Racial” como muitos intelectuais, políticos e populares teimam em dizer é uma utopia ou simplesmente um imaginário do qual as pessoas preferem ter ao invés de assumir o racismo, o preconceito e a vontade grande de minimizar os feitos desse povo negro ou ainda de tentar abolir e desvincular a imagem de que nós somos uma mistura de povos, mas, ainda que de forma distante e não misturada durante a colonização têm em sua origem não só o pé, mas o corpo todo na África¹ em algum momento no tempo ou há pelo menos 2 milhões de anos atrás.
As discussões sobre as Ações Afirmativas compõem e de forma muito esclarecedora o imaginário social do preconceito e de como é mais fácil para uma população negar as origens ao encarar o fato de exclusão e descaso com que a população negra de pele e de mente enfrentou e ainda enfrenta no Brasil atual, é um fato que, o acesso à educação em especial, do ensino superior no país, é muito mais difícil para negros, por se configurarem em sua maioria moradores de periferia onde o Estado não chega e garante a esses condições de se prepararem como os estudantes das áreas mais ricas e desenvolvidas da nação, além da questão de que há uma dívida social para com esse povo.


Não é que os negros mereçam mais que a população branca, mas é que devemos tirar de nossos imaginários a ideia de que o negro era escravo, é doméstico e vai ser sempre alguém subordinado ao branco rico ou mesmo pobre, até porque, muita gente aí quer diferenciar status social por cor de pele, mas isso é uma discussão para outra hora.


[...]não só o pé, mas o corpo todo na África¹: Fazendo referência à expressão popular “tenho um pézinho na África” o que quer dizer que gosta de negros.